União de Freguesias de Amares e Figueiredo União de Freguesias de Amares e Figueiredo

História

Amares

A freguesia de Amares, existente no concelho até 2013, tinha 1,37 km² de área, e segundo os Censos de 2011, acolhia nessa altura 1550 habitantes. Foi sede do concelho de Entre Homem e Cávado, extinto em 1853, e vem dar o seu nome ao concelho, tal como o conhecemos hoje, passando a ser a sede do concelho de Amares. 

Já nos finais da Idade do Bronze, no século X a. C., surge nesta freguesia, a 195 metros acima do nível das águas do mar, numa zona abundante em granito, o Povoado da Santinha, denominado também Castro da Santinha ou Monte de Castros, uma elevação próxima da bacia do Cávado. Os achados arqueológicos que aí foram encontrados sugerem a existência de um pequeno povoado do período do Calcolítico e de que este local continuaria a ser habitado na época romana. A extração granítica realizada neste local a partir da década de 50, a primeira indústria do concelho, vai dar origem à configuração que conhecemos hoje. Nas décadas de 60/70 do século XX as pedreiras do Monte da Santinha tinham cerca de 200 postos de trabalho. Em 1967 é construído no cimo do monte uma capela dedicada à Senhora da Paz, com o objetivo de apelo divino à paz e ao fim da Guerra Colonial. O Monte/Castro da Santinha passou a designar-se também “Monte da Senhora da Paz”.

 Nesta freguesia, sede do concelho, encontrava-se uma grande parte dos serviços públicos. Nela estavam instalados o edifício dos paços do concelho, hoje convertido nos serviços da Biblioteca Municipal Francisco de Sá de Miranda, onde funcionavam os serviços da Câmara Municipal de Amares, as Finanças e Tesouraria da Fazenda Pública, a Cadeia Municipal, o Registo Civil, a Subinspeção de Saúde, e a Conservatória do Registo Predial. Também na freguesia de Amares funcionava a Estação-Telégrafo-Postal, a Farmácia e Casa de Hospício. É de assinalar, a localização no largo da Câmara do Pelourinho de Amares, cuja construção remonta, muito provavelmente, ao século XVII, classificado como Monumento Nacional em 1910. Atualmente, deste monumento resta apenas a base octogonal, que se encontra em exposição no jardim público do Largo D. Gualdim Pais. Porém, existe nesse mesmo lugar uma réplica do monumento, realizada a partir da gravura publicada em O Minho Pitoresco, de José Augusto Vieira, ilustrado por João Almeida, de 1886-1887. 

No início do século XX, o concelho de Amares possuía um mercado municipal no Lugar da Feira Nova, na freguesia de Ferreiros, um mercado com raízes centenárias com origem na antiga feira concelhia que se realizava semanalmente na freguesia de Carrazedo, no Lugar da Feira Velha. Aquando da extinção do concelho de Santa Marta de Bouro, em 1853, este mercado desloca-se para a freguesia de Ferreiros, por ser um lugar mais central, onde funcionou até 1993, altura em que é deslocado para o Lugar da quinta do Passo e Assento, da mesma freguesia. Entretanto, a partir de 1918, a freguesia de Amares reivindica o estabelecimento de uma feira alternadamente com a Feira Nova. Sabemos quem em 1926 o mercado de Amares ainda funcionava. Não sabemos ao certo a data da sua supressão, por falta de fontes. Contudo, no final da primeira metade do século XX surge na freguesia de Amares uma Feira Franca anual. Apesar de não ter sido possível determinar a data exata do início desta Feira Franca Agrícola de Amares, sabe-se que em 1946 já era organizada pelo Grémio da Lavoura, criado em março de 1939. Esta entidade é responsável pela organização desta feira anual até 1974, altura em que é extinta, e a partir daqui passa a ser da responsabilidade da Junta de Freguesia de Amares.

A Amares é atribuído o berço do cavaleiro da Ordem dos Templários, D. Gualdim Pais, que dá o seu nome ao Largo D. Gualdim Pais desde 1940, localizado no centro da freguesia de Amares, onde se encontra um monumento, em sua homenagem, erigido nesta mesma data, comemorativo do duplo centenário da Fundação da Nacionalidade em 1140 e da Restauração em 1640.

Na parte sul do largo D. Gualdim Pais localiza-se a igreja Matriz dedicada a S. Salvador, designada inicialmente por Capela do Bom Pastor, mandada construir em 1705 pela Irmandade da Nossa Senhora do Socorro. A igreja primitiva, de maior dimensão, localizava-se na parte norte. Sabemos que terá desabado no início do século XX, e qua ainda se salvaram as imagens e os altares, as ossadas foram levadas para o cemitério e parte da pedra foi vendida em hasta pública em 1926.

No lugar do Pinheiro Manso, datado de 1693, existe um cruzeiro, que durante muitos anos foi local de passagem obrigatória das procissões religiosas, particularmente a procissão do Corpo de Deus.

Nesta freguesia foram construídas duas escolas públicas, atualmente adaptadas a novos espaços com diferentes utilidades. A escola Conde de Ferreira, construída no final do século XIX, e outra do Plano dos Centenários, em meados do século XX.

Atualmente, a freguesia de Amares continua a ser a sede dos principais serviços públicos do concelho, como é o caso da Câmara Municipal de Amares, num novo edifício desde 1993, a Delegação de Amares da Cruz Vermelha Portuguesa, a Segurança Social de Amares, a Autoridade Tributária de Amares, o Tribunal Judicial de Amares, a Loja do Cidadão, o Centro Escolar D. Gualdim Pais, o Instituto Superior de Saúde (ISAVE), a Casa de Saúde de Amares e a Farmácia Pinheiro Manso. Além destas instituições, a freguesia de Amares possui um grande movimento associativo nas áreas do desporto, cultura, educação, e desenvolvimento local.


Figueiredo

A freguesia de Figueiredo, existente no concelho até 2013, tinha 3,19 km² de área, e segundo os Censos de 2011, acolhia nessa altura 1104 habitantes.

Fazia parte do concelho de Entre Homem e Cávado até à sua extinção em 1853, passando a integrar o concelho de Amares.

Com S. Pedro como padroeiro desde tempos remotos, esta freguesia possui uma igreja matriz de estilo joanino, que não é grandiosa, mas muito valiosa no seu interior. Em 1706, segundo o Padre Carvalho da Costa, esta igreja era abadia do padroado da Diocese de Braga e a povoação tinha 63 vizinhos. Junto ao caminho que vai da igreja para a antiga escola, existe uma capela de invocação a S. Sebastião. Existe ainda nesta freguesia o Cruzeiro Paroquial de Figueiredo, datado de 1724, que foi mandado construir por Sebastião Vieira de Carvalho, proprietário do solar de Santo Aleixo na mesma freguesia, que se encontra atualmente em ruina, e que teria sido construído em 1632. Seguindo a direção da Ponte do Porte, existe à margem da estrada o Cruzeiro dos Desamparados, com data de 1720.

Existiu na freguesia de Figueiredo, até à última reforma do parque escolar concelhio, realizada em 2011, uma escola do Plano dos Centenários, que era frequentada por alunos do ensino pré-escolar e do 1º ciclo.

Esta freguesia foi território de importantes casas nobres, como é o caso do Solar de S. Veríssimo, a Casa da Ribeira, o Solar de Santo Aleixo e a Torre de Vilar.

O Solar de S. Veríssimo, localizado junto à estrada em direção à Ponte do Porto, é constituído por vários elementos importantes, designadamente o imponente portal ornamentado com as imagens das duas irmãs de S. Veríssimo, Santa Marta e Santa Justa, e com o brasão dos Araújos Ranjeis. Possui este solar uma capela da mesma invocação, de estilo joanino, e um fontanário com um tanque octogonal que ostenta uma imagem de S. Geraldo.

O Solar de Santo Aleixo, já referido anteriormente, possui uma capela em completo estado de ruína, da qual só restam as paredes. Na frontaria ainda pode observar-se a imagem do seu patrono, com o mesmo nome. A casa também se encontra em muito mau estado de conservação.

A Casa da Ribeira é um solar imponente, classificada como Monumento de Interesse Público / ZEP, localizada junto às margens do rio Cávado e relativamente próxima da ponte medieval, designada Ponte do Porto. Segundo a memória popular, tem esta casa entre janelas e portas 365, tantas como os dias do ano. Foi mandada construir no século XVIII, por Xavier Malheiro Barriga. Em 1874 era propriedade de D. Maria Antónia de Araújo Malheiro, descendente dos Malheiros de Ponte de Lima. Possui pedra de armas da família dos Machados, Sousa e Arronches, Araújos e Barrigas. Possui uma capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade.

Localizado relativamente perto da Casa da Ribeira, podemos encontrar outro solar, a Torre de Vilar. Classificada como Imóvel de Interesse Público, e de arquitetura civil privada barroca, possui no muro de acesso à casa um portal armoriado do século XVIII ou XIX, onde consta o brasão dos Abreus. Esta casa já existia em 1563, mas pode ser ainda mais antiga. Há uma lenda que diz que aí teria habitado a célebre Ribeirinha, D. Maria Pais Ribeiro, filha de D. Paio Moniz de Ribeira e de D. Urraca Nunes de Bragança, que teria sido concubina de D. Sancho I, de quem teve 6 filhos. Possui ainda esta casa uma capela de arquitetura muito simples, da qual se sabe da sua existência em 1683.

Existiu nesta freguesia, no lugar de Cales, uma estrutura de blocos de pedra sobrepostos de forma rústica, sobre os quais assentava um alinhamento de pedras com uma calha por onde corria água, designada Aqueduto de Cales. Uma construção da época moderna, classificada como Imóvel de Interesse Municipal, em 1983, da qual não se sabe a localização das pedras que foram desmontadas e que se encontravam numeradas.

A freguesia de Figueiredo foi, até à sua extinção em 2013, uma das 5 freguesias mais habitadas do concelho de Amares

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